A toalha branca
Marta Ubach
Desenho
31 x 41 cm 
2017
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Devagar
Marta Ubach
Desenho
Teatro Municipal Baltazar Dias — Funchal
27.10.2017 - 27.11.2017
 
A Galeria das Salgadeiras retoma a iniciativa "Fora de Portas", apresentando pela primeira vez o trabalho de Marta Ubach no Funchal, numa parceria com o Teatro Municipal Baltazar Dias.
Recuperando Padre António Vieira, “devagar e em tempo” para que a alma não fique para trás, esta exposição de Marta Ubach é como que uma convocação a uma pausa, a uma suspensão do tempo e do espaço. O coelho da Alice no País das Maravilhas, sempre a correr porque não tem tempo, exasperar-se-ia com a quietude que reina na paleta cromática de Marta Ubach. Ao longe, poderemos ver cores difusas em harmonia com o estado de espírito e, havendo-a ou seja lá o que seja, em cada crença ou religião, de alma que a artista pretende suscitar. Contudo ao aproximarmo-nos e dialogarmos com estes seus mais recentes trabalhos, encontramos uma composição que nos transporta para o universo bem característico de Marta Ubach onde a pintura e o desenho se fundem e diluem, numa feliz contaminação: temos a cor, essa que sempre está na base da “pintura-pintura”, e o traço, a linha, o contorno que acentua o “objecto” do quadro. Como sempre acontece espera-se que cada um encontre a sua narrativa, partindo ou não das pistas que os títulos poderão sugerir.
Desde muito cedo, em 1998 quando iniciou a sua actividade artística, que a figuração de Marta Ubach se tem manifestado com um forte cariz expressionista e profundamente autoral, surgindo, agora, em “Devagar” com a serenidade que, podendo parecer paradoxal, não o é, grita: “slow down and notice”, numa apropriação de um pensamento budista. São, estas, representações de cenas do quotidiano envoltas numa névoa branca que, porém, não nos impede de ver e sentir, não o que a artista quer dizer, antes o que “nós” quereremos descobrir. Para terminarmos com quem começámos, aquele que Fernando Pessoa intitulava o Imperador da Língua Portuguesa, assim com as maísculas que merece: “Melhor é viver a passos do que acabar a voos”.